Tradição

Newton Braga recebe homenagem no Dia de Cachoeiro

Busto dedicado ao escritor foi ornado com flores durante a solenidade
Foto: Divulgação/PMCI

Na manhã desta quarta-feira (29), Dia de Cachoeiro, foi realizada uma solenidade em homenagem ao escritor Newton Braga, idealizador da data. 

Reunidos na praça Jerônimo Monteiro, no busto dedicado a Newton, autoridades, servidores e moradores do município prestaram tributo ao grande poeta cachoeirense, que faleceu em 1962, aos 51 anos.

“Newton Braga foi um dos grandes responsáveis por tornar Cachoeiro uma cidade tão única, e o amor por sua terra natal é evidente em suas obras. Por isso, estamos aqui, hoje, para prestar homenagem ao legado desse que é um dos filhos mais ilustres do município”, destacou a secretária municipal de Cultura e Turismo, Fernanda Martins.

Presente na solenidade, o vice-prefeito de Cachoeiro, Ruy Guedes, declamou os poemas “Agradecido, senhor”, “Eu continuo a fazer versos” e “Saudade de cachoeiro”, escritos por Braga. “Em cada verso escrito por ele, é possível perceber o amor que Newton tinha por Cachoeiro, e isso ficou eternizado em sua obra”, ressaltou Guedes.

O prefeito Victor Coelho destacou a importância de se preservar as tradições do município e a memória das pessoas que nele deixaram marcas históricas.

“Toda cidade que se desenvolve não pode deixar de olhar para o passado. Newton Braga foi um dos maiores nomes da nossa cultura e o seu legado é um presente para todos nós. Não podemos, jamais, deixar de honrar as grandes personalidades cachoeirenses. São tradições que não podem ser perdidas”, disse o prefeito, após depositar flores no busto do escritor.

Sobre Newton Braga

Newton Braga nasceu em 1911, na fazenda do Frade, administrada pelo pai, Francisco Braga, primeiro prefeito de Cachoeiro. Jornalista, advogado e escritor, ele estudou no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, cidade onde atuou em jornais e publicou poemas com influência do modernismo.

Em 1932, voltou para a cidade natal, onde foi jogador do Estrela do Norte e redator-chefe do Correio do Sul, o que o ajudou a impulsionar movimentos cívicos, como a criação do Dia de Cachoeiro. “Lirismo perdido”, “Cidade do interior” e “Poesias e prosa” são algumas de suas principais obras.

Como intelectual, colaborou com jornais e revistas regionais e nacionais. Em 1945, publicou “Lirismo Perdido”, livro de poesias de influência modernista, que lhe rendeu uma carta elogiosa de Carlos Drummond de Andrade. No ano seguinte, saiu “Histórias de Cachoeiro”, obra que almejava apresentar a história do município a estudantes. Já o livro “Cidade do Interior” reuniu crônicas e croniquetas publicadas nos anos 50, em sua coluna “Casos e Epigramas”, no jornal Diário de Notícias.

No ano de 1936, Newton propôs a criação do Dia de Cachoeiro, com o objetivo de realizar uma confraternização de todos os cachoeirenses, reunindo aqueles que já não moravam mais na cidade. 

A ideia foi ganhando adeptos e, em 1938, já estava decidido que aconteceria no ano seguinte. Inicialmente, a comemoração do Dia de Cachoeiro não era organizada diretamente pelo poder público, apesar de o então prefeito, Fernando de Abreu, ter atuado na comissão de organização.

A festa de 1939 foi um sucesso e a tradição pegou. O título de Cachoeirense Ausente Nº 1, cuja criação também é atribuída a Newton, surgiu em 1942 – o conceito básico era nomear alguém como representante de todos os ausentes.

Festa de Cachoeiro 2022

A homenagem a Newton Braga faz parte do último dia de atividades da edição 2022 da Festa de Cachoeiro.

Ainda nesta quarta (29), às 16h, terá início uma procissão, com saída da Catedral de São Pedro, em direção à Praça de Fátima, onde será realizada a missa em homenagem a São Pedro, padroeiro do município. Na sequência, haverá, no local, apresentação musical do Ministério Vida e Adoração, encerrando a programação da Festa.